História
Em 1991, o empresário Maurício Rangel teve uma experiência que modificou sua vida: em um dia de grande movimento em seu restaurante, uma menina jogou uma pedra que atingiu uma cliente. A reação de Maurício foi apanhar a criança
pelo braço e em um gesto brusco a soltou do outro lado da rua. No mesmo instante foi surpreendido pela crítica de uma senhora, que disse: “Não é assim que se faz!” A mulher não sabia o que havia acontecido, mas as palavras dela não deixaram o empresário em paz. Ele se pôs a olhar com mais carinho a situação dos meninos e meninas de rua (a orar e), não demorou muito, começou a agir. Iniciou dando comida a meninos com trajetória de rua na galeria onde funciona seu restaurante. Entretanto, foi criticado pelos lojistas que, trabalhando na mesma galeria, sentiam-se ameaçados. A esta altura, percebeu que devia fazer algo mais, não era hora de parar. Levando as suas idéias para a Primeira igreja Batista de Belo Horizonte e um grande número de pessoas interessou-se pela iniciativa e reunirão várias vezes, falaram das necessidades e dificuldades. Tempos depois tomaram a decisão de assistir os meninos e meninas de rua levando “sopa” para eles nas noites de sexta-feira. Com o passar do tempo foi então alugada uma casa não muito distante do restaurante mantida pelos empresários Maurício Rangel e Sergio Assunpção. Um tempo depois a Primeira Igreja Batista de Belo Horizonte assumiu o aluguel do local em que era fornecida alimentação e no mesmo local os meninos podiam tomar banho. Um voluntário, Vilmo Rodrigues dos Santos se colocou a disposição para cuidar da casa e dos meninos.
Posteriormente, viu-se a necessidade de que os meninos pudessem pernoitar no local e foi assim que tudo começou a tomar uma forma mais concreta. A partir de então, a casa começou a prestar atendimento integral aos meninos. Como algum tempo depois o local foi solicitado pelo proprietário, pois a casa onde estava funcionando para abrigar os meninos estava sendo vendida. Daí viu-se a necessidade de um local próprio para a continuidade do trabalho. Bárbara Akins, uma senhora norte-americana que residia no Brasil, foi até onde funcionava a Casa Abrigo para fazer uma reportagem. Soube do problema e sugeriu que o projeto fosse colocado no papel, a fim de ser encaminhado aos Estados Unidos na tentativa de que o grupo que sempre vem ao Brasil construir capelas pudesse assumir também o projeto. E assim aconteceu depois de fazer-se parceria com a prefeitura que entrou com a doação do terreno.
Desta forma surgiu à Casa de Apoio à Criança Carente de Contagem. Fundada em 20 de julho de 1994, a instituição é uma sociedade civil sem fins lucrativos e de caráter filantrópico que atua nas áreas de educação, saúde, desenvolvimento social e protagonismo juvenil. Atualmente, a instituição possui três unidades: Casa Abrigo (Rua das Paineiras, 1448, bairro Eldorado), Centro Educacional e Profissionalizante de Nova Contagem (Rua VL 6, 1880, Nova Contagem) e Centro Educacional Ipê Amarelo (Rua Jequitibás, 65, Ipê Amarelo), todas no município de Contagem. Os terrenos das três unidades foram doados pela Prefeitura do município e as construções realizadas em parcerias com missionários, um grupo de norte-americanos, a sociedade civis e empresários.
Contagem
Contagem é uma das mais importantes das 19 cidades que fazem parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), capital do estado de Minas Gerais. A 21 km da capital, Contagem, que possui uma população estimada em 593.419 mil habitantes (IBGE/2005), é um espelho do próprio Brasil. Com um rico parque industrial e tecnológico e com 48,5% da população ocupada atua no setor de serviços, o município não consegue absorver a grande massa de pessoas que migram em busca de trabalho. As conseqüências desse quadro podem ser constatadas nas pesquisas do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança (Crisp) da UFMG, que apontaram o município como o mais violento da RMBH. Segundo o Crisp, em 2000 foram registrados 207 homicídios na cidade, contra 87 registrados em 1990, o que significa um crescimento de mais de 45% em uma década.
Fontes de pesquisas: http://www.ibge.gov.br - http://www.crisp.ufmg.br |